The Gipsy Cab

Nascido em 25/11/1979, Rafael Braz é advogado aposentado e jornalista. Atualmente é editor de cinema da Revista Paradoxo – www.revistaparadoxo.com – e colabora com outras publicações do gênero. Cria assumida da cultura pop, é um apaixonado por cinema, seriados de TV, música, literatura e futebol. Há quem diga que ele gasta tempo demais com isso, mas ele não concorda.

Batman – O Cavaleiro das Trevas

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Que o diretor Cristopher Nolan reinventou o Batman com seu filme de 2005 não é novidade para ninguém, mas aposto que poucos esperavam o que estava por vir três anos depois. O diretor juntou novamente a mesma equipe e elevou o personagem a outro nível em seu mais novo filme, O Cavaleiro das Trevas.

A tal abordagem realista que Nolan conferiu a Batman Begins ganha novos ares aqui. A cidade parece mais sóbria e ainda menos fantasiosa que no filme anterior. Os limites impostos ao traje do personagem principal e as discussões acerca de como melhorá-lo também ajudam aproximar a obra da realidade. Claro que tem muita coisa absurda, mas até elas são explicadas de alguma forma.

O diretor também acerta a retirar o alívio cômico dos ombros do mordomo Alfred. O sarcasmo e as frases bem colocadas ainda estão presentes nos diálogos do personagem, mas soam mais naturais que no filme anterior.

Ainda corrigindo suas falhas prévias, Nolan filmou/editou as cenas de luta de forma mais competente dessa vez, tornando-as, assim, mais compreensíveis. A pouquíssima utilização de computação gráfica até surpreende para um filme do gênero. Mas se O Cavaleiro das Trevas é ainda melhor que seu antecessor, isso se deve ao talento de seus protagonistas que deram profundidade ímpar aos personagens.

A atuação de Christian Bale já é natural. Ele é o Batman e sabe disso. Sir Michael Caine, Morgan Freeman e Gary Oldman também retomam seus papéis com classe e autoridade. A chata e inexpressiva Katie Holmes foi substituída pela talentosa Maggie Gyllenhaal e não faz nenhuma falta. Aaron Eckhart quase rouba a cena com a transformação do promotor Harvey Dent ao longo da projeção, mas não há como negar que o filme é mesmo de Heath Ledger.

O Coringa é simplesmente assustador e não é necessário conhecer suas origens para temê-lo, muito pelo contrário, e Nolan sabe disso. Não há nada daquela figura caricata vivida por Jack Nicholson no filme de Tim Burton em 89. Ledger criou um personagem perturbado, anárquico e, por isso, imprevisível. Nunca se sabe o que pode acontecer quando a figura de rosto desfigurado e cabelo desgrenhado surge em tela. Seus trejeitos, sua voz e, principalmente, sua risada são capazes de causar arrepios. É de se lamentar que o ator de apenas 28 anos tenha falecido no início do ano por uma overdose acidental de medicamentos. Um cara que é capaz de arrancar elogios como o cowboy homossexual de Brokeback Mountain e o Coringa, dois personagens completamente distintos e opostos, com certeza seria capaz de muito mais.

Por fim, Batman – O Cavaleiro das Trevas pode não ser perfeito, mas é grandioso. Nolan elevou os padrões para filmes baseados em quadrinhos, mas mais justo do que compará-lo a outros do gênero é fazê-lo com grandes obras do cinema. É como se o “intocável” Elliott Ness tivesse uma ajudinha extra em sua luta contra Al Capone… Por mais absurdo que possa soar, o novo Batman é um filme denso e pesado, de elevadíssima carga emocional e que demora um pouco para ser digerido. É daqueles que deixam a sala em silêncio enquanto as pessoas caminham para a saída.

Nota: 9

Texto escrito para a Revista Welcome Planet que circularia em agosto. A revista não foi publicada.

Escrito por thegipsycab

Agosto 21, 2008 às 3:37 pm

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