O Procurado – Deliciosamente absurdo
Normalmente quando um renomado diretor não-americano faz sua estréia em Hollywood, logo se teme que ele vá se render às fórmulas e conceitos pré-definidos pela indústria. No caso do russo Timur Bekmambetov não se tratava de um temor, e sim de uma esperança.
Responsável pelo maior [maior, não melhor] filme da história do cinema russo – o fraquíssimo Guardiões da Noite –, o cineasta ainda dirigiu uma continuação nada melhor [Guardiões do Dia] e tinha planos para um terceiro, que teria o original título de Guardiões do Crepúsculo. Ainda assim, os filmes fizeram enorme sucesso na Rússia, custando pouco e superando bilheterias de blockbusters americanos.
Credenciado com esse currículo, Hollywood logo abriu os olhos para o diretor que claramente se preocupava mais com o visual “pop” de suas obras do que com o filme em si [mas rendia horrores aos cofres dos estúdios] e o escalou para dirigir a adaptação da história em quadrinhos O Procurado, de Mark Millar e J. G Jones. O engraçado é que com um bom material em mãos, o diretor russo não só deu conta do recado como surpreendeu com o resultado final.
O Procurado conta a história do pacato Wesley Gibson [James McAvoy], um contador que não gosta do que faz, odeia a chefe, e sua namorada o trai com seu melhor amigo. Os personagens Angelina Jolie e Morgan Freeman aparecem em tela para informar Wesley da existência de uma confraria de assassinos que existe há mais de mil anos e trabalha para o “destino”, para manter as coisas em ordem. Além disso, o pai de Wesley era o maior assassino da organização e foi recentemente morto por um dissidente dela. A partir daí Wesley passa por um duríssimo treinamento e descobre habilidades que desconhecia, dentre elas a estupenda capacidade de curvar uma bala.
Aqui, toda preocupação do diretor russo com a estética traz resultados. A ação é extremamente estilizada, cheia de bullet-times e algumas das situações mais absurdas já vistas no cinema. A trilha sonora é eficaz e a edição de som do competente Jon Title [Diamantes de Sangue, O Gângster] confere ao filme apuro técnico e uma agilidade invejável.
James McAvoy mostra porque é um dos novos queridinhos da indústria e é muito legal ver a transformação do personagem ao longo do filme. Morgan Freeman já está no piloto automático e suas atuações sempre mantêm aquele nível correto: não são ruins, mas também não são nada demais. Enquanto isso, Angelina Jolie aparece magérrima e, ainda assim, extremamente bela e sedutora.
Surpreendentemente, a indústria hollywoodiana fez muito bem a Timur Bekmambetov, que soube fazer as concessões certas. Toda exuberância visual do diretor casou perfeitamente com o clima necessário para adaptar uma HQ como O Procurado aos cinemas. Não espere um filme realista ou algo do tipo. Se você é daqueles que vê uma coisa absurda na telona e já solta um “Falooou, hein” em voz alta, passe longe. A ação é sempre frenética, ágil e absurda. A gente sabe que a bala não faz curva ou que não é possível acertar uma bala com outra bala, mas e daí? Tudo aqui é absurdo sim. Deliciosamente absurdo.
O Procurado
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[Wanted, USA/Germany, 2008]
Diretor: Timur Bekmambetov
Elenco: James McAvoy, Angelina Jolie, Morgan Freeman, Terrence Stamp
Gênero: Ação
Duração: 110 min.
Nota: 7
Texto originalmente publicado na Revista Paradoxo – www.revistaparadoxo.com